Existe vida antes da morte

Esta afirmação é de Eduard Punset  (Barcelona, 1936) advogado, escritor, grande comunicador e conhecido na mídia pelo seu famoso programa de divulgação científica Redes, da TVE.

Ler e escutar Eduard Punset sempre me deu enorme prazer porque ele foi e é capaz de trasladar a ciência a todos os cidadãos comuns de uma forma acessível, próxima e amena. Punset fez com que em cada livro, em cada entrevista, em cada programa pudesse aprender mais da condição humana. Por isso estas frases selecionadas são uma forma de expressar meu agradecimento a uma pessoa que é capaz de ensinar e também inspirar. A seleção de frases está enfocada no âmbito educativo e centrada no que se denomina inteligência emocional. Conferimos juntos?

 

Eduard_Punset

Imagem sob licença Creative Commons, como este blog

7 Frases de Eduard Punset sobre educação e emoções.

1. Sem emoção não há projeto.

  • Emoção. Adoro o termo projeto porque sempre foi uma palavra que relaciono tanto com o presente como com o futuro. Na verdade, a palavra projeto está intimamente ligada à educação. Porque um projeto expressa o pensamento de levar algo a cabo. Gosto de enfocar o futuro da educação desde a perspectiva da paixão e o entusiasmo. Por isso é tão importante o fato de você ser capaz de criar expectativas sobre tal futuro, sobre seus projetos e o de seus alunos. Como? Muito fácil. Unindo a paixão e o entusiasmo com a emoção, tal como diz Punset.

2. As crianças maltratadas de hoje são os pais irresponsáveis de amanhã.

  • Resiliência. Esta segunda frase acho que tem certa relação com a primeira. Punset sempre insistiu que o melhor remédio contra qualquer mal é a prevenção. Então não há melhor prevenção na sala de aula que trabalhar a resiliência, os atos de bondade, para fortalecer o desenvolvimento cognitivo e emocional do aluno. A prevenção é a melhor maneira de preparar seus alunos para um amanhã incerto e onde a capacidade para superar problemas e as adversidades será ponto chave no seu desenvolvimento pessoal e emocional.

3. A alma fica no cérebro.

  • Inteligência emocional. Acredito que a educação atual deve ser capaz de encontrar um equilíbrio entre a inteligência intelectual e a emocional. Por isso gostaria de sugerir uma reflexão que há muito faço de forma pessoal e que tem muito a ver com a frase: o que você ensina quando não está ensinando? Essa questão não é restrita a docentes ou pais, todos ensinamos algo no nosso dia a dia de alguma maneira, em qualquer âmbito.

4. Estamos descobrindo as capacidades necessárias para ter trabalho nas sociedades industriais. A primeira, a capacidade de trabalhar colaborativamente em vez de competitivamente.

  • Aprendizagem cooperativa. Colaborar consiste em agircomoutremparaaobtençãodedeterminadoresultado. Portanto, a aprendizagem cooperativa põe seu interesse na ajuda mútua, no apoio, na solidariedade entre iguais. O aluno cooperativo deixará de ser competitivo ao estilo das sociedades industrializadas. Os alunos que se educarem na cooperação serão capazes de substituir a individualidade pelo trabalho comum e pelo valor do heterogêneo, das diferenças, com toda a conotação que essa palavra tem no que se refere à educação inclusiva. Os sistemas produtivos sempre tenderam a ressaltar o individualismo, um erro que a escola de hoje deveria esforçar-se em reavaliar e corrigir.

5. Nenhum de seus neurônios sabem quem você é… e não estão interessados em sabê-lo.

  • Autoconceito. Nada mais é do que a imagem que a pessoa tem de si mesma. Se trata de um dos pilares básicos da inteligência emocional. Deve-se trabalhar o autoconceito do aluno nas aulas (por parte do professor, do próprio aluno e dos companheiros), tentando a todo momento que o aluno consolide sua autoestima num ambiente que nem sempre é favorável, tanto escolar, familiar como profissional. A opinião que o aluno tem de si mesmo muitas vezes não se corresponde à realidade porque os demais, os neurônios que cita Punset, exercem grande influência e uma pressão sobre a percepção do aluno. Anular essa pressão é, sem dúvida, um desafio apaixonante para qualquer professor. Mudando o que se sente, se pode mudar o que se pensa. (Martin Seligman).

6. Desaprender a maior parte das coisas que nos ensinaram é mais importante do que aprender.

  • Desaprender para aprender é fundamental para que o indivíduo tenha a capacidade de continuar aprendendo. Aprender a aprender é a melhor maneira de reformular aqueles aspectos de sua vida que estão tão interiorizados que você já não é capaz nem de reconsiderar. Alunos – e professores – têm que desaprender para adquirir novas destrezas e buscar novos desafios.

7. A felicidade é a ausência de medo, a beleza é a ausência de dor.

  • Resolução de conflitos. Considero que prova uma sensibilidade extraordinária e revela uma grande verdade: o aprendizado não está isento de medo e dor. Ambos estão ligados à resolução de conflitos, e à percepção de conflitos como oportunidades e não como problemas. Ensinando a resolver os conflitos é como um professor ajuda a que os alunos tenham menos medos e percebam a felicidade como um estado propicio para o aprendizado. E como podem aprender melhor com uma atitude mais feliz. E essa ausência de medo ajudará os alunos a serem pessoas mais seguras, e mais saudáveis desde o ponto de vista emocional, e como diz Punset, quanto mais saúde, menos dor e mais beleza. Sempre defendendo a ideia de que uma pessoa é bonita quanto mais saudável for.

Cada uma dessas frases de Punset isoladamente dão tema para uma conversa numa roda de amigos, na mesa do almoço, em sala de aula. Espero que faça você refletir tanto como a mim.

Sou toda ouvidos a sugestões e comentários.

Agradeço a Santiago Moll Vaquer do blog justificaturespuesta.com por autorizar a adaptação de seu texto ao português.

 

Glossário:

Resiliência – [Física] Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação. [Figurado] Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.

 

Sobre Cristina Pacino
Nascida em São Paulo, residente em Madri. Relações Públicas por decisão. Professora de Idiomas por vocação e mestrado. Paixão por ensinar, vivo para aprender. Quero contribuir para uma sociedade com mais opiniões próprias, ideias originais e criatividade. Acredito que aprender um novo idioma é gerar oportunidades de experimentar a vida sob outras perspectivas. Fundamental: aprender, adaptar-se e mudar. Sigo as palavras de Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

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