Pedalando no Brasil

A bicicleta e a mobilidade urbana sustentável

de bike ao trabalho

A mobilidade urbana é um tema em voga em grandes capitais mundiais. Com a correria da rotina diária, o tempo é escasso fazendo com que cada minuto aproveitado valha ouro, e cada instante não desperdiçado no trânsito seja lucro. Adicione o fato de 80% dos funcionários entrarem e saírem na mesma faixa horária.

O fato de nos locomovermos devagar nas grandes urbes dispensa comentários. Tem gente que aproveita o tempo de “viagem” para mandar whatsapps, emails ou ver o Face, ler jornal, livro, notícias no celular. E tem gente que se estressa, passa mal mesmo, o que é compreensível se pensarmos que um trajeto de dois km chega a ser feito em 1h30m de carro, quando sabe-se que a pé demoraria meia hora em média.

No Brasil há movimento e discussão sobre as alternativas para diminuir o tempo de trânsito entre casa e local de trabalho. O carro ainda não foi totalmente substituído pela bicicleta mas as cidades dão sinais de que a necessidade de reduzir os carros coincide com o desejo dos cidadãos de fazê-lo. Cada vez é mais comum ver ciclistas e pessoas que vão trabalhar a pé.

Ainda é uma pequena amostra em vista do número de habitantes e o potencial que as cidades têm para transformarem-se em cidades amigas da bicicleta, sejam superfícies planas ou com ladeiras.

Há ocasiões nas que torna-se difícil pensar em fazer o trajeto de casa ao trabalho de bike, quando, por exemplo, faz-se um percurso de 20 km só de ida. Chegar ao trabalho suando, com a roupa suada, pode não ser muito agradável, e menos quando na empresa não há um chuveiro onde se duchar. Outro ponto nada favorável é o trânsito e a falta de cultura de bicicletas na cidade, que põem em risco a vida dos ciclistas. Os furtos também são fator de desencorajamento dos potenciais ciclistas.

As cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes passarão por profundas transformações para se adequarem à nova Lei de Mobilidade Urbana.

Em virtude de tal lei espera-se que muitas cidades tenham a bicicleta como eixo de seus sistemas de mobilidade, além do incentivo do uso de transporte público. Para isso, a participação da sociedade civil na elaboração e acompanhamento dos planos de mobilidade será ponto indispensável.

A sociedade colabora e se fortalece à medida em que aumenta sua cultura e conhecimento no papel dos transportes para melhoria da qualidade de vida, redução da desigualdade e inclusão social. Em outras palavras, precisamos de educação participativa e formação nesse assunto para que tudo funcione nos conformes. Faz-se necessário discutir, pensar e planejar soluções para que bicicletas, pedestres e motoristas possam conviver, e em harmonia.

Os ciclistas urbanos  levantam uma bandeira importante de como podemos fazer a nossa parte de transformação cidadã e humanização da cidade.

Em todo o Brasil os Bike Anjos são voluntários que ajudam os novatos a andarem de bicicleta na cidade ensinando regras de trânsito e comportamento . Eles promovem também De Bike ao Trabalho.

A bicicletada é outra iniciativa bacana que tem dado seus frutos.

Para que o leitor tenha uma ideia do panorama brasileiro, aqui  ão algumas das cidades onde já se nota algum movimento:

  • Com mais de 200km de ciclovias, o Rio de Janeiro/RJ está se preparando para a Copa do Mundo 2014.
  • Porto Alegre/RS, assim como outras capitais, tem o sistema SAMBA com Estações inteligentes, conectadas a uma central de operações via wireless, alimentadas por energia solar, distribuídas em pontos estratégicos da cidade, onde os clientes  podem retirar uma bicicleta, utilizá-la em seus trajetos e devolvê-la na mesma, ou em outra Estação.”
  • Fortaleza/CE tem até um mapa indicando as rotas e ciclovias.
  • Em Belo Horizonte há projetos de lei incentivando a construção de ciclovias para facilitar o deslocamento de bike.
  • São Paulo/SP quer usar a bicicleta, só precisa de um empurrãozinho . A cidade tem parques, que ficam lotados de ciclistas nos fins de semana, como por exemplo o Parque do Ibirapuera  e o Villa Lobos.

Esperamos que todas essas iniciativas junto com a boa vontade da população transformem nossas cidades em lugares mais habitáveis, sustentáveis e agradáveis.

Sempre bom lembrar que capacete não é enfeite. E que ciclista é também pedestre e muitas vezes motorista. Esteja onde estiver pedalando, cuidados mínimos devem ser levados em consideração e as normas devem ser respeitadas.

E você, gosta de andar de bicicleta? Mora numa cidade que lhe permite locomover-se de bicicleta? Usa a bike como veículo de transporte para ir ao trabalho? Quer comentar sobre alguma outra cidade brasileira? Qual a experiência na sua cidade?

Curiosidades

Partes da bike.

Expressões regionais.

Glossário:

Correria: grande pressa, movimentação ou atividade.

Ser lucro: ter um resultado favorável, não necessariamente financeiro. Ser lucro ou sair no lucro.

Funcionário: aquele que tem ocupação permanente e retribuída. = empregado, de empresa pública ou privada.

Face: forma carinhosa e popular que os brasileiros chamamos o Facebook. Atenção, não é “feicibúki”, é só “feice” ou “feici”.

Mesmo: (neste caso, advérbio) significa realmente, ou de verdade.

Ladeira: rua ou caminho inclinado.

Desencorajar: desanimar, tirar a coragem.

Nos conformes: forma coloquial de dizer “conforme”, em conformidade, de modo conforme.

Levantar uma bandeira: defender uma causa.

Bacana: neste caso, que agrada ou denota qualidades. Bárbaro, excelente, legal.

Empurrãozinho: qualquer incentivo que não físico neste caso.

Lotado: cheio, cuja capacidade de ocupação está cheia, esgotada.

Texto com estilo misto de linguagem informal e vocabulário coloquial.

Sobre Cristina Pacino
Nascida em São Paulo, residente em Madri. Relações Públicas por decisão. Professora de Idiomas por vocação e mestrado. Paixão por ensinar, vivo para aprender. Quero contribuir para uma sociedade com mais opiniões próprias, ideias originais e criatividade. Acredito que aprender um novo idioma é gerar oportunidades de experimentar a vida sob outras perspectivas. Fundamental: aprender, adaptar-se e mudar. Sigo as palavras de Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

2 Responses to Pedalando no Brasil

  1. Parabéns pelo blogue! Está ótimo! Com direito a música brasileira e boa informação!!! Adorei o texto “Pedalando no Brasil”. Excelente para o intermediário II. Vou tomar a liberdade e indicar a minha turma. Um abraço. Vânia.

  2. Oi Vânia, obrigada! Fico feliz que tenha gostado! Por favor, tome a liberdade sim! Aliás, aceito colaborações e sugestões. Um abraço!

Pode me responder que eu gosto!

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