O X da questão

x da questao

Que o Brasil é rico em diversidade é um fato conhecido. Dentro do mesmo país há uma imensa variedade cultural e de códigos de comportamento.

Sabendo disso, você já se preparou e fez algumas aulas de português. Aprendeu gírias, expressões idiomáticas e até algumas músicas. Ao chegar lá a trabalho ou a passeio, acontece alguma situação inesperada, que nada tem a ver com o domínio da língua. O X da questão é saber como se comportar, coisa que nenhum livro ensina – se você conhecer algum, diga-nos, por favor.

Algumas dessas particularidades brasileiras que vão além das estruturas gramaticais e conjugações verbais podem ser:

1. Aperto de mão ou beijo?

Na dúvida, estenda a mão. Em situações de trabalho ou num evento formal, o interlocutor vai te dar a dica se espera um beijo ou um aperto de mão. Basta ficar atento. Se ele se aproxima ou se faz menção de beijar ou dar a mão.

Se for beijo, só um!  Pode variar segundo a cidade, mas via de regra, neste caso a frase “um é pouco, dois é bom, três é demais” não vale… considere que “um é bom”.

Acontece que você vê várias pessoas em um cumprimento diferente, é um “meio-abraço”. Não arrisque fazê-lo com pessoas que não conheça. Fica forçado.

2. Na hora da negociação

Por herança da colonização portuguesa e de imigrantes de países árabes (sírios, libaneses, armênios e judeus …)  as negociações são feitas de forma indireta, ou seja, expor as opiniões sem fazer um pouco de rodeios pode ser um a atitude rude. Por outro lado, o uso de vocabulário demasiado requintado é visto como pedante. Ideal poder observar antes de entrar diretamente numa negociação e encontrar o meio-termo. Nem direto, nem rebuscado: melhor pecar por formal e ir relaxando se a situação permitir.

Claro está que digo em termos gerais.

3. Falar de assuntos pessoais

Não o transforma em melhor amigo. Brasileiro gosta de contar. E acaba contando sobre sua vida pessoal a pessoas desconhecidas, que talvez não veja nunca mais. Isso não quer dizer que amanhã você possa pendurar um broche de “melhor amigo”. Isso só significa que você foi “pego pra Cristo“. Saber cortar a conversa com cortesia é a melhor saída.

4. Dar um jeito ou um jeitinho

Encontrar uma maneira de fazer algo que no primeiro momento parece impossível ou muito difícil.

Por exemplo você pede caixas de papelão vazias no supermercado para fazer a sua mudança. Na ocasião não há caixas vazias, no entanto a pessoa lhe diz que “vai dar um jeito de conseguir” algumas caixas e lhe pede que espere um momento. Essa pessoa sabe que no armazém há várias caixas para serem esvaziadas e faz um esforço a mais para pegá-las para você.

Mas se há má vontade, não há solução, e isto não é questão de nacionalidade – não confundir com jeitinho, a tão conhecida Lei de Gérson.

5. Comunicar-se com desconhecidos

Em qualquer nível social e cultural, o brasileiro a-do-ra comunicar-se. Seja falando, seja dando um sorriso, fazendo um comentário breve… O que vem de encontro com o ponto 3.

Quem já teve a oportunidade de “viver” o trânsito de uma cidade como São Paulo, entenderá. As pessoas no engarrafamento vão cantando, falando, brigando com/sorrindo para o motorista do lado… Estou exagerando?

6. Tomar álcool na hora do almoço

(= acompanhar o almoço com bebida alcoólica)

É cultural: se voltamos para o escritório, não é habitual beber álcool na hora do almoço. Nem puro nem diluído com refrigerante. Muito pelo contrário, algo intrínseco ao brasileiro é a preocupação com sua imagem. Estar cheirando álcool no ambiente de trabalho não pega bem.

E se o visitante do escritório de outro país o fizer, será motivo de comentários.

Vale lembrar que há setores nos que é normal beber na hora do almoço.

7. Hierarquia

Me comentaram que em muitos países da América do Sul acontece o mesmo.

Em empresas de médio e grande porte o normal é pedir licença para entrar na sala do chefe mesmo que a porta esteja aberta. E se estiver fechada, vale a pena dar uma ligadinha antes de levantar-se da sua mesa para falar com ele.

Você já viveu alguma situação das citadas no Brasil que preferiria ter sabido antes? E trabalhando com brasileiros? Compartilhe sua experiência conosco.

Glossário:

X da questão: expressão usada para selecionar, enfatizar ou ressaltar alternativas, tanto em teste e questionários como em situações comparativas. É a única alternativa correta entre incorretas ou parcialmente corretas. Também usada para ressaltar a importância de um fato.

Fazer menção de: dar a entender pelo gesto que se tem vontade de.

Forçado: forçoso, obrigatório.

Rude: grosseiro, bruto, tosco, ríspido.

Relaxar: moderar, afrouxar, descuidar.

Pegar alguém para Cristo: não largar a pessoa e roubar o seu tempo.

Jeito: maneira, modo.

Jeitinho: (informal) modo astucioso de resolver algum problema ou de sair de uma situação difícil.

Conosco: pronome pessoal de dois gêneros, flexão do pronome nós, quando se emprega com a preposição com.

Sobre Cristina Pacino
Nascida em São Paulo, residente em Madri. Relações Públicas por decisão. Professora de Idiomas por vocação e mestrado. Paixão por ensinar, vivo para aprender. Quero contribuir para uma sociedade com mais opiniões próprias, ideias originais e criatividade. Acredito que aprender um novo idioma é gerar oportunidades de experimentar a vida sob outras perspectivas. Fundamental: aprender, adaptar-se e mudar. Sigo as palavras de Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

2 Responses to O X da questão

  1. Anônimo disse:

    Eu tenho: 1) molhar o pão nas salsas e molhos que acompanham os pratos. Proibidíssimo. 2) molhar o bolo ou o pão no café (café com leite, chocolate, etc…) aghhhhh!!!! que horror!! Só crianças pequenas, em casa e se não houver visitas!!! Excelente compilação!!

Pode me responder que eu gosto!

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