O que é ser Engenheiro Agrônomo

O que é ser…” é um bate-papo informal, imaginando-nos na mesa da cozinha aqui de casa, enquanto tomamos uma caipirinha, feita sem pressa, escutando os pássaros da Casa de Campo de Madrid, cantando ao fundo…

“O que é ser…” são demonstrações das paixões que cada um tem, profissão ou não. São declarações. São intenções. São vidas de pessoas que falam português. São presentes, para nós, leitores. Cada um contando o que é ser o que se é.

A Camila topou contar pra nós o sobre a sua paixão…  Ela escreve com graça sobre uma profissão que pode ser desconhecida para muita gente. O fruto do seu trabalho está na nossa casa todos os dias. Camis, obrigada!

Camila é “engenheiro”, escreve em 2 blogs, tem uma gata muito gata chamada Stela, tem um marido muito divertido e ainda adora o seu trabalho.

Vamos lá conferir?

Camila vendo parte do resultado do seu trabalho.

Conte em breves linhas a quem não conhece, o que é ser “engenheira agrônoma”.

 

Vou começar com um erro de sintaxe que existe e que não me incomoda, mas a outras pessoas sim! Assim como não deveríamos dizer “presidenta”, a palavra engenheira também não existe… por tanto, eu sou Engenheiro Agrônomo! Meu avô sempre me corrigiu, e depois de sua morte, eu levo o legado adiante corrigindo as pessoas.

O engenheiro agrônomo trabalha em praticamente todas as etapas do processo de produção agrícola. Suas atividades vão desde planejar até a comercialização final dos produtos de origem animal e vegetal. O engenheiro agrônomo respeita o manejo e o uso sustentável dos recursos naturais, e pode exercer sua profissão em setores públicos e privados, tendo um mundo infinito de opções na hora de escolher sua atividade profissional: seja no campo, seja numa sala de aula, seja dentro de um escritório, ou até mesmo dentro de um banco! Nós somos multiplurais e multidisciplinados!

 

Como e quando você começou a sua profissão? 

 

Como “o pé e a mão” na massa!

Nunca sonhei em estudar Agronomia, veja só… queria ser ambientalista, ecóloga, eco-louca. Porém percebi que precisamos ser algo mais práticos e menos filósofos. No momento de prestar o vestibular, escolhi cursos que poderiam me levar a trabalhar com ambiente, e entre eles a Engenharia Agronômica. Fiquei tão feliz quando passei na ESALQ, que esqueci das outras opções. Lá aprendi que o mundo era muito grande, e que nós, seres humanos, somos grande parte do ambiente em que vivemos. Que precisamos aprender a conviver com nossos recursos disponíveis, porém, precisamos cada vez mais de uma alimentação de qualidade. Foi quando entendi que minha missão era fazer comida pro mundo! Era também utilizar meus conhecimentos para melhorar o uso dos solos, utilizar corretamente os fertilizantes, que os defensivos agrícolas são sim um mal necessário e que existe uma coisa chamada “estresse vegetal” que precisa ser estudada e controlada. Cada vez entendo mais que sei menos, e busco maneiras de aprender mais sobre a minha profissão.

Trabalho há 10 anos na área de Pesquisa e Desenvolvimento de uma empresa internacional de Fertilizantes e Biostimulantes. Já estudei e me especializei em várias áreas da agronomia, e sigo buscando conhecimento por onde passo. Minha profissão já me levou a uns 20 países diferentes e cada uma dessas experiências me levaram a ser o que sou e estar onde estou.

Para manter a mente aberta e os olhos para o mundo, mantenho um blog chamado “Con Su Lado de Ca”, onde deixo informações a expatriados que querem viver na Espanha, além de algumas dicas de boa convivência e desabafos pontuais. As vezes descrevo locais por onde passei e como é nosso mercado em outros países. Também faço parte do BLPM, que é meu local de ócio produtivo!

 

Como é vista a sua profissão no Brasil? E fora dele?

 

Agrônomo no Brasil é motivo de piada e chacota… É o agricolão, o sertanejo, o que vem sujo do campo… O campo é visto como pobre! Imagina? Nossa riqueza natural e nossa agricultura são de uma modernidade e diversidade incríveis, como eu nunca vi em outro país. O Brasil precisa entender que o Agronegócio tem uma importância imensa na nossa economia. Que fazendeiro e produtor rural não são pessoas ignorantes, e que sim, precisamos deles e dos Agrônomos, pelo menos 3 vezes por dia, quando temos um pratinho de comida diante dos olhos.

Fora do Brasil somos tratados mais como “doutores de planta” e somos muito bem recebidos onde vamos. Meus maiores exemplos de como tratar os Agrônomos eu vi no México e no Egito! Em outros países é entendido que comer bem é garantia de mais saúde e mais qualidade de vida – e agradecem aos agrônomos por isso!

O que será que ela está olhando? Elementar… o ºBrix, que é a quantidade de açúcar nas frutas…

 

O que você recomenda aos que estão começando no setor? 

 

Abrir a cabeça e os olhos, estar atento! Nem só de orgânico vive o mundo, nem só de defensivos sobrevive o agricultor. Precisa pensar no cultivo como algo que é parte de um ecossistema, e que qualquer ação por nossa parte pode acarretar em riscos e erros por outras. Nós somos sim doutores de planta, mas também somos doutores de animais, de construções rurais, de pessoas que estão trabalhando diariamente no campo. É a nossa responsabilidade entregar um serviço de qualidade e segurança!

 

Bate-bola

 

O melhor da profissão:

Nunca estar entediado! Um dia estou no escritório, no ar-condicionado. No outro estou descendo pela serra mais linda que já vi na minha vida… No outro estou debaixo de um Sol escaldante. E depois ainda debaixo de um bananal com uma ótima sensação térmica.

 

E o pior:

Para as plantas e animais não existe sábado, domingo… feriado… festa de família! Tem que regar, tem que alimentar, tem que cuidar diariamente. E quando rola alguma emergência tem que correr!

 

Um gênio na matéria / fonte de inspiração:

 

Eu diria que meu mestre e orientador, Dr. Godofredo César Vitti – que além de um professor incrível da ESALQ, é um formador de caráter de todos os alunos que passaram e ainda passam pelas suas mãos.

E meu chefe querido, José Nolasco, que além de um profissional maravilhoso, é professor da UPM e da vida! Ensina o bonito que é ser Agrônomo por onde passa. Disse aos seus alunos que “agrónomos son los reyes del mambo”. E eu concordo!

 

O que sua profissão não é:

Hahahahaha – ser agrônomo não é saber cuidar da samambaia da mãe… ou da tia… ou saber que planta é aquela que sua tia tem no quintal. Não é!

 

 

Uma virtude para exercer a sua profissão:

Paciência e resiliência… Sabe aquela coisa de “o bolo não assa se você ficar olhando pra ele?”. Pois é o mesmo no campo – temos que ter paciência para ver nossos resultados, que podem levar dias para aparecer, e levam meses para ser concretados. E resiliência para adaptar-se a todo o adverso que pode passar no campo. Mudar de direção quando é necessário e nunca nos esquecer de que somos parte do ambiente!

 

Glossário

Desabafo: quando uma pessoa diz o que pensa, por não aguentar mais guardá-lo para si.

Chacota: zombaria, piada que ridiculariza o outro.

Entediado: alguém que sente tédio, que é uma sensação vaga de desprazer, aborrecimento, desgosto.

Rola: coloquial. Do verbo rolar, que significa acontecer.

Samambaia: plantas do vídeo.

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Sobre Cristina Pacino
Nascida em São Paulo, residente em Madri. Relações Públicas por decisão. Professora de Idiomas por vocação e mestrado. Paixão por ensinar, vivo para aprender. Quero contribuir para uma sociedade com mais opiniões próprias, ideias originais e criatividade. Acredito que aprender um novo idioma é gerar oportunidades de experimentar a vida sob outras perspectivas. Fundamental: aprender, adaptar-se e mudar. Sigo as palavras de Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

Pode me responder que eu gosto!

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