2 minutos para entender – Cultura do Estupro

Este assunto incomoda. É chato, árido, rançoso, fedido, feio, escuro. E atual. Está na mídia. Seja na Índia, Estados Unidos, Inglaterra, Brasil. Hoje de manhã mesmo vi um grupo de senhoras debatendo o assunto na TV aqui na Espanha.

Só falando da cultura do estupro é que podemos fazer com que a mentalidade atrasada e arraigada de muitas pessoas possa se atualizar e assim mudar esse panorama.

Eu só notei que existia essa cultura, que eu sempre chamei de machismo, quando vim pra Madri e as pessoas não mexiam comigo na rua. E eu ia (e vou) feliz da vida por aí, bem mais tranquila do que em SP. Não digo que não existam pessoas que mexem com a gente, mas a sensação de medo que dá nem de longe se compara à da minha cidade natal, que lá é muito maior.

Um ano, quando estava de férias no Brasil e acompanhei minha irmã na feira, ela me apresentou ao feirante, que me olhou e me fez um comentário qualquer (tipo que gata, ou algo do gênero), mas com uma olhada que me deixou muito, muito incômoda, e eu respondi super seca e saí andando. Minha irmã me perguntou toda preocupada o que tinha acontecido. Contei pra ela que me incomodou o que e como o cara falou comigo. Ela disse que eu estava muito europeia, que esse era o jeito dele, e que era normal as pessoas falarem assim.

Enquanto acharmos que ficar sem graça nesse tipo de caso é algo normal, isso se chama cultura do estupro.

Entende?

Que fique claro, adoro ir na feira, à feira (corretamente falando) e acho um barato a criatividade dos feirantes na hora da xepa, admiro a energia que eles têm, e a disposição para vender tudo o que podem todos o dias.

feira

Aqui vai um vídeo da revista Superinteressante que foi lançado ontem.

Quantas mulheres você conhece que já foram assediadas na rua?
Uma pesquisa divulgada no mês passado mostrou que 86% das brasileiras já receberam algum tipo de cantada, e 44% tiveram seus corpos tocados. Esse dado é maior do que na Índia, país famoso pela violência sexual contra a mulher.
Pode parecer que esses dados não têm nada a ver com o silenciamento da violência sexual. Mas têm. Além disso, a novela que você vê, a música que você ouve e a forma como vivemos constroem esse comportamento.

 

 

Pra quem não lembra, ou quem não conhece, a Jout Jout já falou deste tema e ficou famosíssima com este vídeo.

Por que será que ela teve UM MILHÃO E SEISCENTAS MIL VISITAS e 7 MIL COMENTÁRIOS?

 

 

Extra: matéria do El País Brasil de hoje.

Sobre Cristina Pacino
Nascida em São Paulo, residente em Madri. Relações Públicas por decisão. Professora de Idiomas por vocação e mestrado. Paixão por ensinar, vivo para aprender. Quero contribuir para uma sociedade com mais opiniões próprias, ideias originais e criatividade. Acredito que aprender um novo idioma é gerar oportunidades de experimentar a vida sob outras perspectivas. Fundamental: aprender, adaptar-se e mudar. Sigo as palavras de Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

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