A força do coletivo

A importância da associação no crescimento e desenvolvimento individual e comunitário.

poder do coletivo 1

Que o ser humano se junta por alguma causa em comum é fato. Seja vivendo em grupos para garantir a sobrevivência, para espantar os animais, para conseguir mais alimento, para obter lucro, para vender seus produtos a preços competitivos, para assegurar melhores condições de vida.

Isoladamente, ou quem sabe muito pela ajuda da globalização e do acesso à informação que temos com a internet, a sociedade tem despertado para o fato de que sozinho ninguém faz milagre, ou, como diz o ditado, uma andorinha só não faz verão.

O provérbio vem de uma frase de Aristóteles (Reino da Macedônia, 384–322 a.C.), que dizia que uma andorinha só não faz primavera.

Mudamos a estação abrasileirando o provérbio, que ilustra que as andorinhas migram em bando à procura de clima favorável para a subsistência. Desde a antiguidade essas aves são vistas como símbolo de amizade e fidelidade. Justamente porque ninguém vê uma andorinha solitária voando para fugir do frio, a menos que esteja perdida. O que elas ensinam é que não há solidariedade quando se estabelece a condição de solidão.

O mesmo se aplica para os projetos práticos da nossa vida cotidiana em sociedade. Em grupo, os efeitos de qualquer intenção ou objetivo são alcançados com rapidez, força e eficácia diferente do mesmo quando feito individualmente.

Cada oportunidade para colaborar, coordenar e agir coletivamente aumenta nossa autonomia para perseguir o que queremos.” Clay Shirky, Lá Vem Todo Mundo

Como benefícios diretos: ocorre a integração entre pessoas com interesses em comum, a possibilidade de aprender e de trocar o conhecimento e experiência de determinados grupos.

Dependendo de verbas públicas, privadas, doações, venda de produtos ou incluso crowdfunding, as comunidades precisam de dinheiro para sobreviver. Objetivos claros, uma dose de boa vontade, trabalho árduo e persistência são os ingredientes para que as coisas funcionem. E não é mera teoria. É possível ver iniciativas de sucesso com esses poucos elementos.

Este texto não trata de RSC – Responsabilidade Social Corporativa, de fundações, institutos, nem do primeiro (governo) nem do segundo setor (empresas privadas). Trataremos do terceiro setor, que tem como objetivo gerar serviços de caráter público.

Associações, comunidades, grupos, plataformas, sociedades, ONGs, grupos de moradores de bairros e condomínios. Pessoas com o claro propósito de reunir-se para TRANSFORMAR, com maiúscula mesmo. Porque sabe-se bem que em muitos países (e não critico nenhum) depender do governo e da iniciativa privada não é o caminho que melhor atende a todos. Todas aquelas comunidades que querem crescer, criar e promover condições significativas, de valor para o seu entorno.

Vamos dar uma voltinha pra ver algumas ações do panorama comunitário atual do Brasil?

  • Grupo Cultural AfroReggae – “Salve a arte que nos salva”. O Grupo Cultural AfroReggae é uma organização que luta pela transformação social e, através da cultura e da arte, desperta potencialidades artísticas que elevam a autoestima de jovens das camadas populares.

  • Rocinha.org – A Rocinha institucional se orgulha de ser a primeira página na web a abranger a Rocinha como um todo. Investindo na qualidade do conteúdo e na seriedade das informações, o projeto ganhou formato, e logo se tornou uma forte referência do morro na grande rede. De um blog acanhado a um Portal dinâmico e pioneiro, surge uma respeitável alternativa de mídia. Ongs, associações, entidades, fundações e iniciativas do terceiro setor que têm a chancela de Rocinha.org. O lado social de um bairro popular que registra mais de 400 organizações não governamentais, além de representações do poder público

  • Imagina na Copa – Projeto de mobilização criado por 4 brasileiros antes de o país sediar a Copa do Mundo de 2014. “Preparar a o Brasil não para a Copa, mas para os próprios brasileiros”. Divulgação de iniciativas reais que ajudam a vida das pessoas a mudar de maneira positiva por meio de trabalhos coletivos e adotando uma mudança de atitude. São 75 histórias diversas pelos quatro cantos do Brasil em breves vídeos e que contam o que o trabalho em comunidade vem conseguindo.

  • Voz das Comunidades – Portal de notícias do Complexo do Alemão, Rio de Janeiro. Outra grande iniciativa! Além de uma agenda de ventos super atualizada, eles têm notícias fresquinhas de interesse de todos.

  • Abraço Cultural – 3 ONGs que ajudam diversas comunidades e também refugiados no Brasil se uniram em 2014 com o projeto “Copa dos Refugiados”. Daí veio o Abraço Cultural: curso de idiomas ministrado por refugiados com objetivo de promover a troca de experiências, geração de renda e valorização pessoal e cultural dos professores. Gerando para os alunos, além do aprendizado do idioma a quebra de barreiras culturais e proporcionando aos refugiados novas experiências com a comunidade local, valorizando as diferenças.

Conhece mais iniciativas que estão fazendo a diferença no Brasil? Compartilhe com a gente!

 

Glossário:

Uma andorinha só não faz verão: A escolha da andorinha não é casual. Na busca por calor, essas aves sempre voam juntas, em grupos de até 200 mil animais. As maiores aglomerações de andorinhas são vistas nas Américas. Em outubro, quando começa a esfriar no norte, elas percorrem 8 mil quilômetros até a América do Sul, de onde voltam em abril. Fonte

Crowdfunding: também conhecido como financiamento coletivo. Consiste na obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo através da agregação de múltiplas fontes de financiamento, em geral pessoas físicas interessadas na iniciativa. O termo é muitas vezes usado para descrever especificamente ações na Internet com o objetivo de arrecadar dinheiro para artistas, jornalismo cidadão, pequenos negócios e start-ups, campanhas políticas, iniciativas de software livre, filantropia e ajuda a regiões atingidas por desastres, entre outros.

No Brasil, o mapa do crowdfunding é um mapeamento colaborativo das plataformas de crowdfunding existentes no país. Para quem quer contribuir, o Eu Patrocino está cheio de iniciativas. Bem interessante.

 

 

Sobre Cristina Pacino
Nascida em São Paulo, residente em Madri. Relações Públicas por decisão. Professora de Idiomas por vocação e mestrado. Paixão por ensinar, vivo para aprender. Quero contribuir para uma sociedade com mais opiniões próprias, ideias originais e criatividade. Acredito que aprender um novo idioma é gerar oportunidades de experimentar a vida sob outras perspectivas. Fundamental: aprender, adaptar-se e mudar. Sigo as palavras de Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

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