Minha terra tem palmeiras

Pensando em clássicos foi que lembrei deste poema. Pesquisando referências achei uma excelente página A Magia da Poesia, que aqui compartilho para que todos conheçam.

Poema transcrito abaixo, interpretado pelo grande e querido Paulo Autran.

 

Canção do Exílio – Gonçalves Dias (1843)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

 

Esse poema é um clássico. É composto todo em heptassílabos (ou redondilha maior) como a maioria de nossas cantigas de roda e canções de ninar (muitas compostas por Villa Lobos, como a belíssima “Se esta rua fosse minha“). Dizem que essa é a métrica que mais se prende à memória… Deve funcionar, pois realmente, eu não esqueço esse poema ou as cantigas de ninar da minha infância.

A obra  abre o livro “Primeiros Cantos e é um dos mais conhecidos poemas da língua portuguesa no Brasil, até mesmo porque “Nossos bosques têm mais vida,/Nossa vida, mais amores.” acabou no nosso hino nacional.

Foi escrito em julho de 1843 em Coimbra (Portugal) e na wikipedia você pode saber mais sobre ele, inclusive com uma análise do poema.

Se quiser ver o texto em sua grafia original (bem interessante), basta passar umas páginas aqui no link do livro Primeiros Cantos no Google Books. Aliás, o livro está todo disponível ali, pois toda a obra do autor é de domínio público atualmente.

Texto íntegro de autoria de Fabio Rocha.

 

Adaptação da Wikipedia:

Gonçalves Dias nasceu em Caxias, no Maranhão, foi um poeta, advogado, jornalista, etnógrafo e teatrologo brasileiro. Um grande expoente do Romantismo Brasileiro e da tradição literária conhecida como indianismo.

Foi um ávido pesquisador das línguas indígenas brasileiras e do folclore. É o patrono da cadeira 15 da Academia Brasileira de Letras.

A “Canção do Exílio” foi produzida no primeiro momento do Romantismo Brasileiro, época na qual se vivia uma forte onda de nacionalismo, que se devia ao recente rompimento do Brasil-colônia com Portugal. O poeta trata, neste sentido, de demonstrar aversão aos valores portugueses e ressaltar os valores naturais do Brasil.

Apesar de ser um texto de profunda exaltação à pátria, o poema possui total ausência de adjetivos qualificativos. São os advérbios “lá, cá, aqui” que nos localizam geograficamente no poema.

Em 1843, quando Gonçalves Dias escreveu este poema, cursava Faculdade de Direito em Coimbra. Vivia, desta forma, um exílio físico e geográfico.

 

Sobre Cristina Pacino
Nascida em São Paulo, residente em Madri. Relações Públicas por decisão. Professora de Idiomas por vocação e mestrado. Paixão por ensinar, vivo para aprender. Quero contribuir para uma sociedade com mais opiniões próprias, ideias originais e criatividade. Acredito que aprender um novo idioma é gerar oportunidades de experimentar a vida sob outras perspectivas. Fundamental: aprender, adaptar-se e mudar. Sigo as palavras de Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

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