Caminhando no incerto, idolatrando a dúvida

Antonio Abujamra

“Coragem, mude. Mude, mas comece devagar… veja o mundo de outras perspectivas… abra as gavetas, portas, com a mão esquerda… tente o novo todo dia: o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida, tente, tente. Lembre-se que a vida é uma só. A salvação é pelo risco, sem o qual, a vida não vale a pena.” poema de Edson Marques

Ator e diretor de teatro. Nascido em Ourinhos, SP, formado em filosofia e jornalismo. Apresentador e roteirista do Provocações, programa de entrevistas da TV Cultura no ar há 15 anos. Sempre começava o programa com a frase “caminhando no incerto, idolatrando a dúvida”.

Na última terça-feira, aos 82 anos, o grande Antonio Abujamra faleceu em consequência de um infarto. Deixou 2 filhos e 2 netos. Irreverente, ousado, inovador, censurado pela ditadura, de um humor ácido e crítico em relação aos tabus sociais.

No seu programa, Abujamra sempre perguntava aos entrevistados como gostariam de morrer, e ante as repetidas respostas “em casa, dormindo”, o apresentador costumava debochar do convidado. Ironia do destino, ele morreu enquanto dormia.

Entrevistou pessoas das mais diversas áreas e opiniões, como Mario Prata, Paulo Goulart, Mino Carta, Sócrates, Ariano Suassuna, Roberto Freire, Ziraldo, Nélida Pinón, Pasquale Cipro Neto, Bruna Surfistinha, Christiane Torloni, Maguila, Marisa Orth, Eva Wilma, Ruy Castro, Rubem Alves, Karina Buhr, Falcão e Eduardo Kobra.

Na internet é possível encontrar vários episódios do programa. Abaixo alguns a modo de ilustração:

Abujamra 2

 Recitando O Tempo, de Mário Quintana

A vida são deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é Natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê não sabemos mais por onde andam nossos amigos…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casaca dourada e inútil das horas…
Eu seguraria todos os meus amigos, que já não sei como e onde eles estão e diria: vocês são extremamente importantes para mim.
Seguraria o amor que está à minha frente e diria que eu o amo…
Dessa forma eu digo, não deixe de fazer algo que gosta devido a falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

 

Entrevista seu filho, André Abujamra, em março 2015.

 

Abujamra 3

Como o bruxo ravengar, na novela Que Rei Sou Eu, de 1989

 Ravengar

Depoimento sobre a TV Cultura, onde trabalhou desde 1971

 

“Eu sei, mas não devia” de Marina Colasanti

Sobre Cristina Pacino
Nascida em São Paulo, residente em Madri. Relações Públicas por decisão. Professora de Idiomas por vocação e mestrado. Paixão por ensinar, vivo para aprender. Quero contribuir para uma sociedade com mais opiniões próprias, ideias originais e criatividade. Acredito que aprender um novo idioma é gerar oportunidades de experimentar a vida sob outras perspectivas. Fundamental: aprender, adaptar-se e mudar. Sigo as palavras de Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

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