De mochila nas costas

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Comecei a viajar de mochila no Brasil, e posteriormente de van na Europa. Aprendi a levar nas costas somente o peso que posso aguentar sozinha, por isso acho uma delícia viajar de mochila. Foi durante o Caminho de Santiago que senti na pele a importância dos pertences através de seu peso.

Pensando nisso, fiz uma breve lista de algumas coisas que só aprendemos sendo mochileiros.

1 – Dizer adeus às coisas supérfluas
Todos nós já fizemos isso alguma vez: pôr mais coisas do necessário na mochila da nossa “primeira aventura mochileira”. Porém, à medida em que vamos colecionando mais e mais carimbos no passaporte, parece que a bagagem vai diminuindo. Rapidamente nos damos conta de que a verdadeira beleza de viajar está nos lugares que vemos e nas pessoas que conhecemos, sem nos importarmos com a roupa que usamos ou os artigos que usávamos para documentar cada parte de nossa viagem.

2 – Ser mais tolerantes
Nos “obriga” a nos abrirmos a pessoas de todos os lugares do mundo e assim aprendemos a apreciar novos costumes, culturas e idiomas. Dividimos quarto com pessoas que em outras situações não faríamos e daí nascem oportunidades de ver as coisas sob outra perspectiva, o que traz consigo a tolerância.

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3 – Ficar sozinho não é ser sozinho
Viajar sozinho pode ter alguns momentos de solidão. O mochileiro frequente transforma os momentos a sós consigo mesmo em prazerosos, já que são uma parte natural da viagem. Por isso mesmo evita as viagens organizadas. Arrumemos a mochila e demos as boas vindas ao pouco comum fato de estarmos sós.

 

4 – Ver a beleza nas coisas pequenas
Comida caseira, um armário para guardar a nossa roupa, um chuveiro quentinho, uma cama aconchegante. Renunciamos a algumas comodidades pela alegria que representa a viagem com a mochila nas costas. Um mochileiro sabe como aproveitar ao máximo essas coisas que sabe que recuperará ao voltar pra casa.

5 – A não ser tão escrupulosos
Aprendemos a não nos esbaldar em gastos, sabemos que temos que aproveitar ao máximo nosso dinheiro, e às vezes, as coisas mais elementares têm que ser suficientes nesse momento. Desenvolvemos a capacidade de nos contentar com o que temos.

6 – A fazer amigos
Saímos de casa. Perdemos alguns amigos. Fazemos amigos novos no percurso. Porém, assimilamos que quem são realmente nossos amigos nos compreendem e não necessitam que contemos constantemente o que estamos fazendo. Nos permitem sermos livres, assim como fazemos com eles. Compartilhamos um amor e um apoio que vai além dos anos e das fronteiras.

7 – Aprender a fazer o seu próprio caminho
Alguns de nós cometemos o mesmo erro alguma vez: mudamos nossos planos de viagem por algum amigo. À medida em que mais nos acostumamos a conhecer pessoas novas e nos despedirmos delas, mais percebemos a importância de criar o nosso próprio caminho. E descobriremos outros viajantes. Curtimos viajar sozinhos sabendo que logo ali na frente nos espera um novo grupo de pessoas na mesma sintonia e dispostas a compartilhar o novo capítulo da nossa viagem.

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No meu entender, viajar de mochila é mais uma atitude perante a vida do que levar uma mochila nas costas e dormir em uma barraca de camping.

O espírito da viagem transcende o físico. A sensação de conforto interior e de satisfação são algo que não se paga com dinheiro. E quanto mais viajamos, mais queremos. Será que vicia?

 

Glossário

Mochileiro – viajante de poucos recursos, cuja bagagem se reduz geralmente a uma mochila, e que recorre a serviços baratos de alojamento, alimentação e transporte.

 

Links a sites de mochileiros no Brasil:

 

Sobre Cristina Pacino
Nascida em São Paulo, residente em Madri. Relações Públicas por decisão. Professora de Idiomas por vocação e mestrado. Paixão por ensinar, vivo para aprender. Quero contribuir para uma sociedade com mais opiniões próprias, ideias originais e criatividade. Acredito que aprender um novo idioma é gerar oportunidades de experimentar a vida sob outras perspectivas. Fundamental: aprender, adaptar-se e mudar. Sigo as palavras de Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

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