Aprendizagem na organização e sua importância no mundo real

Organizar a aprendizagem e o desenvolvimento para complexidade: indivíduo, equipe, organização.

org for complexity

Nos últimos anos, muitas coisas foram ditas sobre a aprendizagem nas organizações e nas escolas de negócios. E muitos dos temas baseavam-se em afirmações equivocadas.

Palavras de Niels Pflaeging, em seu novo livro Organizar para a Complexidade, no qual apresenta ferramentas de pensamento, as põe em prática e nos mostra o caminho de como podemos melhorar as condições e fazer ajustes na aprendizagem, e quem sabe até criar o nível que Peter Senge e muitos de nós temos sonhamos há décadas.

Segundo o autor, a “ferramenta de pensamento” que usa apresenta uma diferença que muitos provavelmente já ouvimos falar, e cujas consequências são muitas vezes mal interpretadas.

É necessário fazer a distinção entre Dados, Informação, Conhecimento e Maestria – para refletir sobre como se dá a transformação entre eles:

  • D2I – A primeira é transformar Dados em Informação. Se refere ao domínio de “TI” – Tecnologias da Informação (não aprendizagem). Para tal, as pessoas não são necessárias, nem precisam estar envolvidas.
  • I2C – Informação em Conhecimento. Aqui é onde o tema começa a ficar interessante, já que o conhecimento envolve pessoas e atividade humana. Esta transformação “I2C” é o domínio da “aprendizagem pessoal, ou individual”. Alguns a chamam de aprendizagem “básica”. Os alunos podem fazer uso individual deste tipo de aprendizagem, em casa, online, etc.: ao procurar algo na Wikipédia ou no Google, assistir um vídeo do TED, ler um livro ou artigo, é quando este tipo de aprendizagem acontece.
  • C2M – Conhecimento em Maestria é a segunda forma de aprender: o domínio da “aprendizagem coletiva”. Surge a necessidade de que os que aprendem o façam por conta própria ou treinem com “mestres” (ou seja, alguém que domine o tema). Poderíamos dizer que neste caso necessitaríamos mínimo 2 alunos! Esta transformação “C2M” pode acontecer na sala de aula, no trabalho, usando técnicas de resoluções de problemas, pedindo orientação, ou em interação online.

Enquanto a primeira forma de aprendizagem “I2C” faz sentido e soluciona problemas conhecidos, o segundo tipo é ponto-chave para resolver problemas, e para lidar de maneira efetiva com a complexidade. A aprendizagem “C2M” é a necessária para a inovação e resolução de problemas em mercados dinâmicos.

Lamentavelmente a maioria dos MBAs atuais oferece aprendizagem I2C aos seus alunos – mesmo usando metodologia de análise de estudos de casos e simulados de negócios. Conferências corporativas, programas de desenvolvimento de liderança e atividades de desenvolvimento organizacional estão cheios de I2C que não motivam, e que não contribuem em nada para o desenvolvimento da maestria.

tabela Niels

Qual é a consequência de tudo isso?

A fim de promover um desenvolvimento efetivo e espaços de aprendizagem na educação superior, no desenvolvimento organizacional, bem como em conferências, deveríamos situar a aprendizagem básica “I2C” onde lhe corresponde: pré-leitura, aulas online, MOOCs, YouTube, etc. E criar espaços para a transformação de Conhecimento em Maestria na sala de aula e nas nossas empresas. Tudo isto combina aprendizagem e técnicas de sala de aula múltiplas, configurações e métodos diversificados. Por exemplo:

  • Organização e disposição horizontal da sala de aula, em vez apresentação clássica por parte do professor.
  • “Não ao PowerPoint” – sim ao foco em situações de aprendizagem dinâmicas e reais ou simulados, além de diálogo em sala, questionando e incentivando o intercâmbio interpessoal, usando os recursos visuais disponíveis.
  • “Aquisição prévia de conhecimento” – pré-leituras, aprendizagem online, e meios online complementam o presencial, preferivelmente antes do encontro presencial.
  • Reflexão e avaliação contínua sobre o ensino-aprendizagem ao final de cada ciclo em vez de testes de conhecimentos, notas ou provas que se perdem no caminho da aprendizagem.

 

Então, que caminho seguir?

Vamos “libertar” as salas de aula (e os assistentes) das universidades e MBAs, reuniões corporativas e desenvolvimento organizacional da chatice das apresentações e do ensino frontal!

Vamos usar a tecnologia de forma inteligente, e colocá-la onde tem que estar (normalmente I2C), e usar o tão valioso cara a cara para construir alianças, interações realmente sociais e aprendizagem cooperativa.

A tecnologia pode nos ajudar a liberar o local de trabalho, a sala de aula, o curso e a conferência da aprendizagem I2C – assim poderemos aproveitar melhor nossos encontros pessoais.

 

Adaptação autorizada de Niels Pflaeging. Empreendedor, influenciador, curador de mudanças, palestrante, autor, consultor global em temas de liderança. Fundador do movimento internacional BetaCodex Network e ex-diretor de The Beyond Budgeting Round Table BBRT. Seu último livro: Organizar para a Complexidade. Como fazer o trabalho funcionar de novo, para criar organizações de alto desempenho.

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Sobre Cristina Pacino
Nascida em São Paulo, residente em Madri. Relações Públicas por decisão. Professora de Idiomas por vocação e mestrado. Paixão por ensinar, vivo para aprender. Quero contribuir para uma sociedade com mais opiniões próprias, ideias originais e criatividade. Acredito que aprender um novo idioma é gerar oportunidades de experimentar a vida sob outras perspectivas. Fundamental: aprender, adaptar-se e mudar. Sigo as palavras de Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

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