Pare de começar e comece a parar

placa pare

E se o ponto chave para inovação não estiver em começar algo novo? E se o verdadeiro segredo for parar algo velho? Você agora deve estar se preguntando “como assim?”

Pense sobre si mesmo um momento. Aquele projeto que você deseja começar, aquele instrumento que sempre quis tocar, aquele curso de idiomas, aquele negócio que aspira dar início. Você é bastante produtivo. Profissional focado, que pode fazer o trabalho de três pessoas ao mesmo tempo, e ainda ser um belo exemplo como mãe ou pai do ano. Então, se você é tão bom em fazer as coisas acontecerem, por que você não pode se livrar das coisas sem importância na sua vida? A resposta é dura, mas óbvia. Você não tem a capacidade (leia-se tempo, recursos ou energia) para fazer cosas novas, porque você está ocupado com as velhas.

Por que é muito mais difícil parar do que começar alguma coisa? Ah, acha que isto é conversa fiada, que não acontece com você? Lembra-se daqueles quilinhos que você está “tentando perder” há um tempo? Em vez de começar uma dieta rigorosa, que tal tentar desfazer-se de algumas das suas rotinas atuais? Por exemplo, o cafezinho no bar da esquina acompanhado daquele docinho, a cerveja com amigos beliscando umas batatinhas ou assistir tv no seu maravilhoso e confortável sofá justo depois do jantar.

É muito mais vantajoso parar algo que já não é útil ou substituí-lo

por algo que você considere realmente de utilidade.

Agora sugiro um exercício de reflexão. O ser humano, em geral, tem a necessidade de preencher espaços vazios. E também de esvaziar espaços demasiado cheios. Estes podem ser desocupados à medida que eliminamos coisas sem importância, tarefas automáticas que não levam a nada, qualquer afazer administrativo supérfluo. O que faz falta é a transformação proposital dessa energia toda recém liberada em algo mais bem aproveitado, útil. Em algo novo. Deixar os velhos hábitos de lado para dar espaço ao que realmente importa. (Atenção: não penso que tudo o que é velho é inútil, senão que o que estamos acostumados a fazer há um certo tempo e não é útil, tem que ser descartado).

Sob a perspectiva empresarial, consideremos dois casos muito diferentes de como um negócio parou de fazer as coisas como sempre e pôde começar a fazer as coisas de uma forma nova e original:

  1. Em 1985, a Microsoft dominava o sistema operacional da maioria dos PCs. Ela interrompeu a si mesma com a introdução do Windows. Via o desenvolvimento de Lisa da Apple, uma versão inicial falida do Macintosh, como o futuro inevitável e abraçou o sistema visual orientado a objetos enquanto rapidamente eliminava o seu antecessor. Ou seja, mudar de DOS para Windows foi arriscado, mas revolucionário na época.
  2. Em 1998, à beira da falência, Steve Jobs retirou os famosos computadores bege da Apple por entender que a empresa nunca avançaria se tudo continuasse igual, mesmo sendo uma das poucas divisões lucrativas da companhia. O caminho de volta à prosperidade era lento e inquietante. Cobrir as máquinas existentes com cores vivas, como se tratassem de doces, lançar campanhas publicitárias atrevidas, e finalmente, plantar as sementes da tecnologia portátil que agora domina o ecossistema digital. Quem diria?!

A Microsoft parou porque quis. A Apple parou porque tinha que fazê-lo. De qualquer maneira, ambos tiveram coragem de fazer algo novo e deram o passo. Como é habitual com os ciclos de inovação, atualmente seus papéis estão invertidos.

Tudo isto para concluir que começar coisas novas é fácil. Você acabou de descarregar um aplicativo ou dar uma esticadinha no seu dia de trabalho em algumas horas. Vive com a adrenalina alimentando a ilusão de que você é uma pessoa superior, porque você trabalha mais e de modo mais inteligente do que todas as pessoas ao seu redor.

Parar as coisas é difícil. Esse ato implica sentimentos de perda, decepção e fracasso. É preciso mais que criatividade. É preciso coragem para parar o que você tem feito para dar espaço às coisas que você quer começar a fazer agora.

Você acha que isso é possível na prática?

Glossário:

Como assim: expressão que significa que a pessoa não entendeu e pede uma explicação. Pode ser substituído por “não entendi, pode me explicar novamente?” ou também “o que você quer dizer com isso?”

Conversa fiada: expressão popular que significa conversa banal, sem proveito; mentira; desculpa.

Beliscar: no sentido próprio é apertar a pele entre as unhas ou as pontas dos dedos. No texto significa comer apenas um pouco. O mesmo que petiscar.

Bege: de cor amarelada, semelhante à lã no estado natural.

Dar uma esticada: expressão popular que significa ficar um pouco mais num determinado lugar, sem ter hora concreta para ir embora. Pode referir-se a trabalho ou lazer.

Sobre Cristina Pacino
Nascida em São Paulo, residente em Madri. Relações Públicas por decisão. Professora de Idiomas por vocação e mestrado. Paixão por ensinar, vivo para aprender. Quero contribuir para uma sociedade com mais opiniões próprias, ideias originais e criatividade. Acredito que aprender um novo idioma é gerar oportunidades de experimentar a vida sob outras perspectivas. Fundamental: aprender, adaptar-se e mudar. Sigo as palavras de Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

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