Expatriação

railway luggage

A mobilidade de profissionais entre diversos países é hoje algo cada vez mais comum devido à internacionalização e globalização das empresas. A expatriação consiste em uma experiência que deve trazer benefícios não só às organizações como também aos trabalhadores.

Algum amigo, você ou algum membro da sua família é ou foi expatriado? Se quer mais dados para responder à pergunta, vou ilustrar com um exemplo:

Você trabalha numa empresa multinacional e ficou sabendo que abriram um novo posto na sua área para um projeto de mínimo dois anos, em um dos países onde a empresa tem filial. Esse país e esse novo cargo representam uma promoção importante, econômica e profissional, além do valor agregado de trabalhar fora, num ambiente multicultural. É a sua oportunidade.

Então você passa por todos os processos: conversa com seu chefe, em seguida com sua família, depois preenche o formulário de seleção, é entrevistado, avalia e negocia a proposta salarial e benefícios, é selecionado, começa um curso intensivo do idioma do país cinco dias por semana, conversa com a família de novo, faz um almoço de despedida com o pessoal do escritório, por fim o bota-fora com os amigos…  Após dois meses, chegou o grande dia: passaporte na bagagem de mão, inquietude no coração. As malas grandes contêm o necessário, pois você voltará em um mês para despachar a mudança pela transportadora, e levar consigo a sua família ao novo destino.

Você pensa inúmeras vezes nos perigos e maravilhas que pode encontrar, já leu, se informou, perguntou, pesquisou… Chegando lá: surpresa!!! As coisas não são melhores nem piores, simplesmente são diferentes.

Pois bem, o nível de adaptação do expatriado ao destino está determinado por diversos fatores.

1 – Como a decisão é realizada e negociada.

2 – Postura do RH e do funcionário – encará-lo como decisão profissional e não um prêmio ou um luxo.

3 – Família – percepção e impacto em sua vida

4 – Atitude e estrutura da unidade que receberá o expatriado

Toda expatriação acarreta uma série de desafios que afetam o dia a dia da pessoa, que acabam desencadeando um processo de perder algo para ganhar algo, e no fim transformar.

Com base nas experiências contadas por expatriados e repatriados, abaixo segue recopilação de alguns tópicos  úteis que valem a pena serem lembrados e assim tentar evitar efeitos colaterais da tão desejada mudança. Vejamos:

Por parte da empresa:

– Apoiar a inserção local do expatriado, tanto logístico como burocrático.

– Pensar e gestionar cuidados do cônjuge.

– Definir claramente os objetivos do projeto, bem como prazos, orçamento.

– Traçar as expectativas da empresa com relação à função do profissional expatriado e os critérios de avaliação utilizados.

– Proporcionar condições para o desempenho do projeto.

– Reconhecer e assumir corresponsabilidades. O sucesso ou a falta de tem que ser responsabilidade das partes envolvidas.

– Mudar o foco do imediato para o longo prazo, do individual para o coletivo.

Por parte do profissional:

– Ter curiosidade. Constantemente. Pode-se aprender da nova cultura, experimentar uma maneira totalmente diferente de viver. E também capacidade para abrir-se ao novo.

– Boa vontade em aprender, saber ouvir, buscar compreender os próprios preconceitos e estar aberto a questionar as próprias verdades culturais.

– Enxergar as experiências como aprendizagem. “A vida sempre está nos oferecendo novos começos, dependerá de nós aproveitá-los ou não”.

– Aceitar a realidade e os demais como são, e não tentar mudá-los. Quem chega num novo ambiente é que tem mais chances de se adaptar do que os que já estavam lá antes.

– Encontrar oportunidades e não reclamar das que deixou para trás. Existe algo mais e efêmero que o próprio tempo? Desperdiçá-lo lamentando-se é pouco produtivo.

– Entender e aceitar que a saudade vai bater. E que haverá dias tristes, longe de pessoas que ama. É algo natural, faz parte do jogo.

– Resistir à tentação de “viver lá como se estivesse aqui”. Integração e entrosamento com as pessoas do lugar são coisas básicas.

Além disso tudo, vale pensar em aspectos práticos, como:

– Pesquisar a dinâmica da vida local.

– Tipos de escolas e como funcionam.

– Sistema de saúde e procedimentos de emergência.

– Sistema bancário.

– Lista de preços de itens e serviços básicos.

– Conhecer associações (não me refiro a guetos) de compatriotas para matar a saudade de vez em quando.

Voltando

Um aspecto negligenciado é à adaptação ao retornar ao país de origem.

Em tal caso são necessários cuidados, pois a readaptação exige tempo, força de vontade e muita paciência. Além do mais, a probabilidade de choques é tão grande quanto a ida ao exterior. Voltar para casa e retomar sua cultura, depois de vários anos fora, não é automático; será necessário um importante trabalho mental para a pessoa reassumir o que já era culturalmente seu e integrar as novas experiências e conhecimentos.

Aos meus amigos e aos ex-alunos amigos, atualmente expatriados, Fran e Karla (Brasil), Pedro (Brasil), Alessandro (Brasil), Gema e Gonzalo (Panamá), Julio e Priscilla (Holanda).

Uma das minhas inspirações para escrever este post for o especial bárbaro que o jornal El País fez durante o mês de outubro sobre expatriados pela crise e detalhando as experiências e depoimentos de pessoas em vários países. O contexto é um pouco diferente do post, porém é uma boa referência para entender o que acontece hoje no país onde vivo e o ponto de vista de alguns expatriados sobre o Brasil.

Glossário:

Expatriação: saída voluntária ou não de um país para ir residir no estrangeiro.

Acarretar: causar, ocasionar, originar.

Recopilação: texto ou trabalho com os aspectos principais. Recapitulação, resumo, sinopse, síntese.

Avaliar: determinar o valor de, estimar, medir, julgar.

Desempenho: atuação, execução, comportamento. Também usa-se performance.

Chance: ocasião, oportunidade.

Reclamar: fazer crítica, protestar, queixar-se.

Efêmero: passageiro, provisório, temporário.

Saudade vai bater: muito difícil explicar saudade, mas acho que todo mundo já sentiu algum dia. Simplificando, saudade é sentir falta de algo ou alguém. Lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que alguém se vê privado. Bater no caso é aparecer.

Fazer parte do jogo: também usamos a forma abreviada “fazer parte”. É uma expressão que usa o jogo como figura de linguagem e significa que em qualquer área há situações de perda e de vitória. Os jogos são assim, ganhar e perder faz parte de qualquer jogo. Neste caso, o jogo da vida.

Entrosamento: harmonia, sintonia, entendimento, comunicação.

Gueto:  local onde uma minoria está separada do resto da sociedade.

Sobre Cristina Pacino
Nascida em São Paulo, residente em Madri. Relações Públicas por decisão. Professora de Idiomas por vocação e mestrado. Paixão por ensinar, vivo para aprender. Quero contribuir para uma sociedade com mais opiniões próprias, ideias originais e criatividade. Acredito que aprender um novo idioma é gerar oportunidades de experimentar a vida sob outras perspectivas. Fundamental: aprender, adaptar-se e mudar. Sigo as palavras de Cora Coralina: "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

2 Responses to Expatriação

  1. spectroman disse:

    Dicas q servem para um turista ou expat ainda incluem…. verifique a compatibilidade de seus equipamentos eletrônicos voltagem e plug pra ver se vai funcionar ou precisa de adaptador. Mudancas internacionais podem ser muito caras considere começar uma vida nova. Dependendo do tipo de visto que o país oferece é possível que você tenha benefícios em impostos ou possibilidade de transferir sua carteira de motorista, sempre pesquise a respeito antecipadamente. Hoje também ja existe uma lei que possibilita saques de FGTS no exterior basta fazer o pedido no consulado brasileiro.

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